Sua Burra! Sim, sim, tu. Tu que estás aí, com olhos olhos vermelhos e alagados!! Oh tu!! Sim, sim, tu. Tu que estás aí a deixar a vida passar-te ao lado a olhar para o amor errado! Sim, sim, o amor errado. Há alturas para tudo, pois, e esta é aquela em que se olha para o amor-próprio! Sim, já o conheceste? Não!? Pois bem, está na altura de lhe ligares, e de dizeres olá. Sorri para ele, sff. É um sábio, merece o teu maior sorriso e o teu maior respeito. É! Oh, estás-me a ouvir??! Pára! Levanta-te daí e anda! Há um mundo lá fora, ainda não o conheceste todo, estás à espera do quê!? Não sejas Burra! Tenta, luta, grita, bate, morde, revolta-te! Qualquer coisa, mas reage! Olha, levanta lá a cabeça, vá... Não fiques assim. Sabes, isso passa... Eu prometo que passa!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
domingo, 18 de março de 2012
Vontades
E hoje só quero ouvir as gargalhadas barulhentas e as conversas animadas daquele silêncio que costumamos partilhar os dois.
P.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Uma flor e uma carta de amor.
Quando somos pequeninos damos valor a coisas que ninguém liga: aquele peluche velho e feio que dorme conosco todas as noites sem sair do nosso lado; aquela avó que nos dá doces e nos estraga os dentes, que nos deixa ver todos os desenhos animados que queremos em vez de fazermos os trabalhos da escola; aquele avô que nos ensina a andar de bicicleta e que nos levanta quando caimos em cima de pedras e que mesmo que haja sangue em todo e qualquer pedaço de tecido das nossas calças nos diz "isso não é nada!"; ao lanche feito de pão com manteiga e uma caneca de leite; às canetas coloridas que usamos para ointar em sitios menos próprios como nas mesas ou nas paredes; gostamos de imitar as vozes dos animais ou dos comboios e usamos uma vassora para fazer de cavalo e passear por um mundo encantado que só nós vemos... Quando somos pequenos vemos tudo com outros olhos, guardamos imagens tão diferentes das que guardamos agora, cheiros, emoções. É tudo tão mais fácil, inclusivé o amor. Quando eu era pequenina o amor resumia-se a um beijo na bochecha e a um pão com manteiga ou oas bolicaos que eu comprava e não comia (nem sequer gostava deles) para dar ao meu namorado, fui crescendo e passei do rosa ao preto, o amor morreu, deixou de existir. A primeira paixão foi sofrida, o primeiro amor penoso. Quis porque quis deixar de sentir, e consegui. Até que ele apareceu, com o seu génio diferente, calado, timido, e com tanta força. Não era amor, nem era paixão, pelo menos não era nem só um, nem só o outro, eram os dois. São. São simples, no melhor dos sentidos, sem deixarem de ser avassaladores. Arrancam-me suspiros e levam-me os sentimentos ao extremo. É assustador e faz com que faça coisas assustadoras, poderia dar uns quantos exemplos para que o mundo percebesse o tipo de insanidades e disparates que este sentimento tão complexo, e no entanto tão simples, me faz fazer e dizer, mas isso seria expor a intimidade que me é tão preciosa. Além disso não acho que quem me lê precise realmente dos pormenores, concerteza têm os seus próprios pormenores. É o melhor do mundo, este sentimento. Faz-me ver as coisas com outros olhos, com os olhos cor-de-rosa de quem dá importância às pequenas coisas da vida, que acabam por ser gigantescas e ganhar toda a importância e marcam a diferença neste mundo tão cinzento onde vivi durante tanto tempo. Uma palavra, um sorriso, um gesto, uma mania, um pormenor que só ele conhece, uma lágrima no canto do olho limpa com a parte de trás da mão, pão com manteiga arranjado com tanto carinho, um café e uma amêndoa amarga, uma flor e uma carta de amor...
Bastas-me, P.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Assobia
A carga emotiva que aquele tom de voz transportava fazia com que os seus olhos se enchessem de lágrimas. Emocionava-se com aquele som que parecia invádi-la até aos confins do seu próprio corpo, da sua própria alma, como se não houvesse mais nada à sua volta, como se nada mais tivesse importância. Naquele momento, a sua atenção era só e apenas para o som daquela voz tão imponente, mas tão familiar. O som do passado, o tom de voz das recordações mais queridas, mesmo que nunca se tivesse dado conta de que o fossem... Outra vez o som, um assobio! Aquele som, aquela melodia tão conhecida. Levanta-se a correr e abre a porta, lá vai ela escada acima, seguindo o som. Quando entra na sala vê o rosto da voz, tão mais novo do que ela se lembrava, quase que se esquece que ele não está cá, que já não vive aqui. Sorri, lembra-se do dia emq ue filmaram aquelas imagens: "Vai devagar, Taninha!", "Sim avô.", mas não foi. Foi tão depressa que caiu e magoou um joelho, nada de importante, mas ainda tem a marca, é uma marca velha já. Esta é muito mais recente, ainda nem um ano tem.
"Diz adeus para a câmara!"
Eu respondo-te do lado de cá:
Olá avô, tenho saudades tuas.
"Diz adeus para a câmara!"
Eu respondo-te do lado de cá:
Olá avô, tenho saudades tuas.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Quinta
- Onde andas tu? - pergunto-me eu, automaticamente, quando as horas do meu dia teimam em não passar e eu em vez de estar numa esplanada a beber Ice Tea de pêssego e a fumar cigarros enquanto tu dás golinhos na tua Coca-Cola, estou aqui, sentada a olhar para o tecto do meu quarto. Não há televisão aqui, para me distrair, mesmo que houvesse não havia de a ligar. Dava-lhe muito pouco uso, acho que me servia apenas de lâmpada quando acordava de noite e precisava de uma luz para me conseguir mover entre os mil artefactos inúteis que habitam o meu quarto. Não ninguém para conversar. Mesmo que houvesse queria mesmo era conversar contigo, ser totalmente compreendida por outro ser humano é uma coisa rara que contigo acontece a toda a hora, acho que por isso é normal que me deixe ficar com esta teimosia de falar só e apenas contigo sobre as minhas teorias descabidas e os meus sonhos e planos. É que nem uma companhia! Tenho a gata, mas claro, está a dormir ao Sol. E que Sol! E eu aqui... Importas-te de pegar no telemóvel e ligar-me a dizer: "Puto, vamos beber café!", sff?
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Minha Querida Lisboa
Minha Querida Lisboa,
Lá do alto da varanda vê-o, ainda que meio desfocado, e depressa lhe assaltam à memória mil e uma recordações. Recorda os beijos, os abraços e os aromas, a música que os envolve sempre que se tocam, os sorrisos e as gargalhadas. Um minuto, aquele que ele leva a olhar para cima e a reencontra-la com um olhar, parece uma hora. Ela sorri-lhe, ele sorri de volta, e, nesse preciso momento, ela acorda.
Parece que passaram três anos, mas só passaram três dias, Lisboa, e eu mal vejo a hora do seu regresso.
P.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Quarta
Tenho saudades tuas, tantas, nem imaginas. Saudades de nós, dos cafés e dos cigarros, das conversas parvas e das conversas profundas. Voltaste, mas não voltaste tu. Não sei explicar. Sinto a tua falta em todas as horas de tédio, em todos os momentos cheios de alegrias para partilhar, e em todos os momentos de tristeza onde quem mais me compreendia eras tu. Tenho saudades tuas e do teu apoio, da tua alegria e da tua revolta. Volta, lá do sitio onde te enfiaste, volta sff, está a ser insuportável.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Lemonworld
Quando ele a olha no fundo dos olhos e lhe vê a alma nua de disfarces e máscaras o mundo pára. O vento não sopra, os pássaros ficam suspensos no ar, assim como as folhas castanhas que viajavam pelo céu. Os carros não andam e aquele senhor que estava a acender o cigarro terá de esperar até a chama voltar a arder. O tempo pára, e ela perde-se naquela sensação quente e confortável que a invade. As sensações são quase irreais, o toque da pele e dos lábios, o sorriso e as gargalhadas. O silêncio enche-se de música, é a banda sonora do filme deles. Deixam-se estar, e quando o olhar se quebra, um minuto depois, e o tempo volta a correr, os pássaros a voar e a chama do isqueiro do senhor arde de novo é que ela se apercebe que com ele vai ser sempre assim, mágico, como se ele tivesse o poder de fazer parar o mundo e o tempo. O mundo dela, pelo menos...
domingo, 6 de novembro de 2011
Incapacidades
Hoje vou fingir que não te conheço. Vou dar a volta, descer a rua e meter-me no primeiro jardim que encontrar, nem que para isso tenha de andar quilómetros. Hoje vou fingir que não te sinto em mim. Refugiar-me num banco de madeira, debaixo de uma árvore e respirar ar puro. Hoje vou fingir que não estás na minha pele. Agarrar num papel e numa caneta e desenhar os meus sentimentos. Hoje vou fingir que és só um sonho. Vou fechar os olhos e relembrar os momentos onde não estás presente. Hoje, no banco de jardim onde me vou sentar, vou escrever uma história nova, para substituir a velha, vou começá-la e acabá-la, guardar as canetas na mala e vou andar até casa. Vou andar ao som de música que não me lembre de ti. Hoje vou fechar os olhos e deixar-me dormir enquanto finjo que algum dia vou conseguir esquecer que te conheço, que te sinto na minha pele, que és o sonho vivido, que estás sempre presente, em todas as memórias, e que toda e qualquer melodia me lembra o teu sorriso e o teu gargalhar; que existes em mim, como o a Julieta existia no Romeu. Era mais fácil, se não existisses...
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Minha Querida Lisboa

Minha Querida Lisboa,
Ontem quando subi as escadas do metro e olhei para o teu céu, por entre os cabos dos eléctricos e os telhados das casas que teimavam em meter-se à frente do meu olhar, dei-me conta de como o tempo passa a correr. Passar semanas sem visitar as tuas ruas antigas já é inconcebível. As saudades que sinto correrem-me nas veias parecem quase irreais. Saudades de um sitio e das vistas desse sitio, do barulho dos saltos dos sapatos na calçada e das vozes apressadas de quem por ali passa. Chegou o Outono, Lisboa, e o Outono relembra-me o cheiro a castanhas assadas no teu Rossio. Já lá estão, e o chão já está cheio de folhas, o vento já é frio e o céu está, na maioria do tempo do dia, cinzento. Estás com o meu encanto favorito. O encanto das folhas e do Sol de Outono. O encanto do chocolate quente bebido nas janelas dos cafés, espreitando a rua e saboreando cada um dos seus pormenores. Da noite que chega cedo, que a muito convida a ir para casa cedo, mas a mim me convida a ficar, trazer um casaco quente, levar um pacote de castanhas e ir captar as tuas imagens com a minha câmara. Oh Lisboa, que saudades. Sabes o bom disto tudo? É poder reviver-te e revisitar-te todos os Outonos, todas as Primaveras, todos os Verões e todos os Invernos. Sempre, com todos os pormenores, com todos os barulhos e com todos os cheiros. Sempre, para a eternidade da minha vida. Sim, eu sei que mudas, mas mudas pouco e devagar, e há coisas que nunca mudam. A tua imortalidade é uma delas, e eu quero dar-te a conhecer Lisboa, todas as ruas, becos e vielas, todo o encanto. Sim, voltou, e anda de mão dada comigo...
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