sexta-feira, 24 de maio de 2024

Uma corrente de ar

Abriu a porta e ficou perplexa. Escandalizada, diria. Estava tudo fora do sítio. Tudo virado do avesso. As cordas do certo e do errado enredadas, sem sinal do começo ou do fim de cada um delas. Gavetas reviradas, papéis espalhados. Foi só uma corrente de ar, pensou. E foi. Foi só uma corrente de ar, é só uma corrente de ar. Uma materialização de um desejo visceral que não há meio de desaparecer. Uma corrente de ar frio que a vem arrepiar. Agora é tempo de arrumar, mas ela não consegue sair do mesmo sítio. Parece que a corrente de ar que a congelou afinal. Anda ali às voltas e voltas, rodopiando, fazendo voar papéis e papéis e memórias. Nada tem nexo. Nem ela consegue perceber muito bem o que é suposto fazer com tudo aquilo.

Deu por si a falar com uma imagem dela própria que andava a voar por ali. Devia ter uns 25 anos. Estava morena e tinha um sorriso quase gargalhada. Estava alguém ao fundo, na direção para onde ela olhava.

Sabes, vivo dividida em fazer o que é certo dentro da minha moralidade e fazer o que me dá vontade e me faz sentir viva (mesmo que isso signifique ir ao limite do que é moralmente aceitável para mim própria). Desta vez excedi-me.

Tenho muita vontade de ser alguém consciente e moralmente correto. Faço essa escolha todos os dias. A de ser correta. No entanto, da mesma forma que tenho muita vontade de o ser, tenho de me sentar contigo a conversar...

Vou já pedir desculpa pelo que possa dizer daqui em diante, mas apercebi-me que esta memória desbloqueou aqui o motivo da minha corrente de ar.

E ele é um problema demasiado delicioso para eu querer resolver. É como uma viagem literária para mim. Um conto. Daqueles que mesmo sendo curtos, têm tanto para dizer. Uma daquelas ideias e vontades que não se podem concretizar, mas que nos fervem nas palmas das mãos. Parece que toda a concepção que eu tinha dele foi posta de parte, está lá guardada, intacta, na memória do que ele era para mim antes do exato momento em que percebi que tb me queria. Quis. Acho que essa é a ideia dele que quero conservar intacta, porque a outra ideia que tenho dele agora está-me a deixar doida. Acho que assumi que ia meter um travão e não foi isso que aconteceu. Foi-se o controlo todo e agora estou aqui.

Não sei bem porque é que lhe pedi que viesse ter comigo naquele dia se já sabia o desfecho desta história. Já sabia que tinha que ser um não. Por mim, por ele, por nós, pelos outros. No fundo só precisava de provar a mim própria que tinha razão. E tinha, porque assim que ele me tocou eu soube que ia ser uma perdição... Só não sabia que ia ser assim: Não consigo dormir sem sonhar contigo. Acordo de noite, em pânico, encharcada, porque parece que tenho a língua dele na minha. Já é a segunda noite... Não estou a saber lidar. Hoje estive parada a lutar contra mim própria a ponderar se lhe ligava a pedir para vir ter comigo ou não. Pronta pra implorar! Ainda escrevi a mensagem, mas consegui apagar. Lá me recompus, entrei no carro e dei-me conta que além de tudo, agora tenho memória do cheiro dele. Ficou impregnado no meu carro. É terrível, é grotesca quase, esta vontade.

Foi o não mais difícil da minha existência.

Eu sei, respondeu a memória, Eu sou tu, apesar de ainda não ter acontecido, sei e sinto tudo o que tu sentes.

Fechou a porta. Percebeu que não tinha capacidade para lidar com aquilo. Voltou para a sua vida de sempre, com o seu amor de sempre, à esperança vã, de sempre também, com que vivia as suas rotinas enfadonhas. O amor não chega. Estava a descobrir isso da pior maneira.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Os teus e os meus

Era uma vez uma alma que caiu do céu e se partiu em dois bocados.Voaram com o vento, correram o mundo, viram outros pedaços de almas, apaixonaram-se, desapaixonaram-se, choraram, sofreram, sorriram, viveram... Um desses pedaços era meu, o outro era teu. Encontrámo-nos, um dia, sem querer. Sem o querer, realmente. Conhecemo-nos. Encantámo-nos. Sempre sem o querer. Ouvimos música. Passeamos. Apaixonámo-nos Sempre sem o querer. Sofremos por essa paixão, cada um pelos seus motivos. Errámos. Lutámos. Magoámo-nos, sempre sem o querer. Descobrimos que juntos éramos um só. Evitámos sê-lo. Cedemos, mas sempre sem o querer. Pelo menos até ao dia em que quisemos e  hoje, somos felizes, tão felizes...
Somos tão felizes que nos esquecemos muitas vezes da efemeridade do tempo e dos momentos que passam a correr por nós. Somos um, mas não nos esquecemos de quem fomos antes de o ser, nem de quem seremos quando um de nós se for. E sabes porquê? Porque não nos esquecemos dos nossos defeitos. Nem dos teus, nem dos meus. Eles equilibram-se, por isso, são bem-vindos.

Obrigada.
P.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Silenciaram-se as palavras

Já ninguém escreve. 
Cresceram todos, mudaram de vida e já ninguém tem tempo a perder com as palavras que traduzem aquilo que se pensa ou se sente. «Para quê?», é uma pergunta recorrente; «Não tenho tempo», uma desculpa frequente. Estão todos tão ocupados, tão cheios de si mesmos, tão preguiçosos, perdidos no marasmo da rotina da vida que já nem sequer acham vontade para partilhar palavras. Esta forma de comunicação é tão válida como qualquer outra. Pegamos num tema, escrevemos sobre ele, mostramos-lo aos demais, partilhamos a opinião, a visão, o bitaite. Já esteve  na moda, mas dava trabalho. Como dá trabalho as pessoas esquecem-se dela, ou então descuidam-se. Sim, há quem continue a escrever, mas já não o fazem como faziam dantes. Agora é descuidada e à pressa, não tem peso, não tem consciência ou profundidade, são meras palavras dactilografadas com força no teclado. Isto quando o são, é que hoje em dia há palavras que não chegam a ser gravadas. E é triste!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Minha querida Lisboa

Minha querida Lisboa,

Sabes quem vi chegar hoje? O Outono... Sabias que na Língua Portuguesa, por causa do novo Acordo Ortográfico, o Outono perdeu a sua maiúscula? Pois, eu sei, é feio, mas eu deixei-lha lá estar. Parece-me importante, é um ser único, o Outono. Teimo em personificá-lo num vendedor de castanhas, de barba e com uma boina. Parece-me que é simpático, melódico e suave. Compreensivo e paciente, vem ajudar as pessoas a aceitarem melhor a transição entre os dias quentes do Verão e os dias gelados do Inverno (também estes dois perderam as suas maiúsculas, mas eu insisto em deixá-las no sitio, a todas). Sopra para as árvores todos os dias, até as suas folhas cairem, devagarinho, devagarinho. Vai toldando o sol para nos ajudar a aceitar que ele também tem que ir descansar e vai-nos molhando os pés para nos irmos habituando ao frio. É uma bela ajuda. 
Hoje fui apanhar o resto do sol, sentei-me numa esplanada e pedi um café. Quando dei conta estavam a cair pequenas folhas, foi quase uma chuvada de folhas. Percebi que era ele. Soprou primeiro a árvore mais próxima de mim, depois a outra ao lado, depois a que estava lá ao fundo, e aos poucos o chão foi-se enchendo de pequenas folhas amarelas, castanhas e laranjas. Já tinha saudades dele...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Poesia

"A cidade estava deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte...". Fui eu, confesso. A cidade estava deserta e eu queria ver-te e ter-te ao pé de mim. Como tardavas em chegar desatei a escrever-te em todo o lado, na esperança de que andasses mais depressa ao ver o teu nome ao longe. Ainda pensei gritar, mas já me doía a voz desde o último chamamento. A tua distância e a tua ausência magoam-me profundamente a alma, deixam-me triste e desanimada, como se nunca mais fosse voltar a ver o Sol. Ver-te chegar faz com que as borboletas que vivem no meu estômago esvoacem com toda a força das suas minúsculas asas! É bom, é refrescante. No entanto, cada vez que viras costas, por muito que eu te sorria quando olhas para trás, parece que há uma parte de mim que vai contigo. É uma sede, uma fome, uma vontade, uma necessidade de ti que se instala em mim e que não é saciada até à próxima visita. No dia em que voltámos costas um ao outro e eu pensei que nunca mais te ia ter de novo, prometi a mim mesma que não iria permitir às borboletas que esvoaçassem de novo quando te pusesse a vista em cima. Apaguei-te e arranquei-te de mim e das minhas coisas, pensava eu... Rebelaram-se, desobedeceram-me e assim que os teus olhos pousaram nos meus, e os meus nos teus, começaram a bater as asas desenfreadamente. Pensei que não iam parar! Zanguei-me imenso com elas, quase que lhes deixei de falar... No dia em que acabou a nossa distância e voltamos a estar pertinho um do outro pedi-lhes desculpa e percebi que nunca mais as iria impedir de se exprimirem: elas estavam apenas a ser fieis ao meu coração.
O amor é um sentimento sobre o qual todos escrevem, todos opinam, todos dizem e desdizem. A uns agrada, a outros maltrata. O ser humano, que de todos os animais é o mais complicado, sente-o de formas inimagináveis. Cada um é como cada qual, e cada um o sente de forma diferente. O meu amor não é igual ao teu e o teu não é igual ao meu. Com isto vem a obrigação de respeitar o amor que cada um sente. Respeitá-lo pelas suas igualdades e desigualdades é um dever, e todos temos os nossos direitos e deveres! Eu aprendi a respeitá-lo, por isso mesmo é que anseio por ver-te chegar, trazido pelas rajadas frias do vento de Inverno. És a minha poesia. Só em ti consigo dar largas à minha criatividade e amar-te todos os dias de forma diferente, inovadora, distante de todos os clichés, e quando uso os clichés consigo sempre dar-lhe uma pitada de novidade. Só para ti é que consigo arranjar novas palavras que consigam transmitir e conter nelas todo o amor que te quero dar, escrever e dizer. A tinta que sai a jorro da ponta da minha caneta ganha vida e estica-se e encolhe-se para te escrever o meu amor. És a minha verdade. És o amor que grito e canto para todos ouvirem, és a poesia que escrevo para que os olhos de quem a lê consigam sentir o calor do amor e ver a beleza deste estado de devaneio constante. És. Somos, e essa é a melhor parte.

domingo, 26 de maio de 2013

Amor és tu!

Antes de te conhecer, não sabia que o amor podia ser de mais cores além do cor-de-rosa dos filmes e das histórias encantadas que lia. Não sabia que o amor não tinha hora para chegar e que era possível alguém apaixonar-se todos os dias pelas mesmas coisas, ou por coisas novas, mas sempre pela mesma pessoa. Não sabia que o amor acontecia em qualquer lugar, apesar de ter já visto o magano a espreitar nos sítios mais deslocados e inesperados. Já sabia o que era o amor, sim, mas não sabia que o conseguia sentir dia após dia, desde o primeiro até ao de hoje. Não sabia que o conseguia sentir já amanhã. Não sabia que conseguia reviver as sensações do ontem, dos momentos efémeros passados num passado ainda próximo, mas que se afasta cada vez mais. Antes de me apaixonar por ti, não conhecia o desespero. Não conhecia a sensação da sede. Tentar beber água e ela, desesperadamente, fugir-me por entre os dedos. Também não sabia o delicioso que é sentir o desespero e matá-lo, de seguida. Momentos de angústia, consolados num abraço apertado tendo a paisagem predileta dos dois como fundo. A cumplicidade e a união, tão estreitas!
Antes de te conhecer, não sabia que o amor podia ser tudo e nada ao mesmo tempo. Ser espontâneo, e inesperado, e o inesperado acontece em qualquer lugar. Não se idealiza, planeia, não se arruma a casa e põe flores na jarra. O amor é eu estar aqui, tu aí e mesmo assim estarmos os dois no mesmo lugar, à mesma hora, a todos os momentos. Não sabia que era assim, mas agora sei. Existimos os dois no mesmo sitio e em sítios diferentes sem qualquer esforço. Temos história em nós, temos memórias e fotografias, recordações escritas, vistas ou faladas prontas a saírem de nós, e em todas elas tu e eu somos nós. Não sabia que podíamos ser um só. Somos.  Quando estamos juntos somos tudo o que queremos ser e não podemos, e somos isso tudo sempre, já que estamos sempre juntos, mesmo estando longe.

O amor és tu, P.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Nostalgia

Liguei o rádio, deixei a música invadir-me até ao fundo de mim, senti as vibrações do som nas pontas dos dedos da mão que estava pousada na estante. Deixei que o baú das memórias se abrisse, e quando dei por mim as lágrimas escorriam pela minha cara a baixo. A sensibilidade do coração magoado e amachucado, como se fosse uma folha de papel, é maior do que a de qualquer outro órgão  O amor que nutro pelos outros pedaços de mim não chega para amainar a dor que às vezes me ataca. É a falta, o vazio a necessidade que não é colmatada com o que precisa, é a saudade. A saudade é a palavra que melhor define o que sinto. É um sentimento nostálgico, com sentimentos que recordo e sei que não vou voltar a sentir, com mimos que não vão ser mortos e desejos que não vão ser concedidos. É um egoísmo, eu sei. Havia dor e desespero, e foi melhor assim. Mas a saudade é um bem que trazemos sempre conosco, pertence-nos e nasce da ausência, da distância e do conhecimento. É triste quando acordamos num dia menos bom, mas é bonita quando acordamos num dia melhor, faz-nos relembrar as coisas boas que aprendemos das vivências que tivemos com algum, num dado momento.


domingo, 24 de março de 2013

Amor

Aqui li há dias um texto que chamava a atenção dos demais para o facto de, no amor, darmos apenas importância às coisas extravagantes e aos feitos grandiosos, pequenos prazeres aproveitados a dois, que no entanto, são visíveis por todos, fizeram-se para serem visto pelos espectadores desconhecidos que passam por nós ou que existem nos mesmos sítios que nós. E então as pequenas coisas? Aquelas pequenininhas, os pormenores, que para mim são a base de qualquer amor, aqueles que são tão pequeninos que nem sequer damos contas deles, e no entanto, eles estão lá, todos os dias, acompanham-nos a todos os minutos passados a dois. Pequenas coisas como um: "Bom dia.", "Dormiste bem?", "Já tomaste o comprimido?", "Já comeste?", "Fiz-te café.", "Comprei-te o jornal, sabia que o ias querer ler.", "Olha, pedi-te uma amêndoa amarga, achei que querias.", "Fizeste boa viagem?", "Vá lá, coça lá o nariz.", "Podes pedir salgadas, sei que gostas mais assim.", "Não comas porcarias.","Sai daí que ainda cais."... Estas pequenas coisas, que podem até ser quase maternais, são as que mais me deliciam. O facto de alguém, que não é um dos nossos pais, saber que só bebo água à refeição, que gosto da pizza com azeitonas, que me traz as coisas sem eu ainda as ter mencionado porque sabe que as vou querer, que abdica dos sabores que mais gosta em detrimento da minha preferência, que me deixa o resto do queijo derretido da tosta só porque eu gosto, que me dá almofada para eu ficar mais confortável  é, para mim, a maior demonstração de amor que existe. Faz-se e dá-se com o coração, sem esperar receber em troca, nas mais pequenas coisas que se partilham todos os dias, sem termos noção disso mesmo. O amor é isso mesmo: a dádiva, a partilha, a atenção, a dedicação. O amor está nas coisas corriqueiras do dia-a-dia, sem nos apercebermos que se não as tivessemos não eramos tão completos, tão felizes. São os cafés numa qualquer esplanada e os pés enroscados uns nos outros. É o bom dia com o sorriso na cara e o "dá cá que eu levo que isso deve estar pesado...". São as pequenas coisas. Essas sim, deviam ser vanglorizadas, aclamadas e cantadas, todos os dias. 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Retrospectiva

Vendo o ano aqui do cimo das escadas, só me posso dar por contente por ter conseguido subir os degraus todos. Eram tão poucos degraus, mas mesmo assim, demorou tanto a subi-los. Os buracos nas escadas cresceram muito este ano, dois dos pilares que suportavam a minha pequena existência mudaram-se para outro mundo deixando os corrimões que lhes pertenciam soltos. Acabaram por cair. Já seria de esperar. No entanto, não me posso queixar relativamente à perda de outros, a minha foi apenas um grão de areia no deserto. Tive saudades, este ano, tive dores também, mas tudo acabou por se compor, claro que a perda  e a ausência é sempre sentida, mas quando relembrar aquilo que ganhei, ou o que já tinha e que se tornou ainda mais imponente e importante, tudo encaixa no sitio certo. De louvar:

  • Amizades reforçadas - a magia dos amigos e a sua companhia nas horas más, boas, enfim, a qualquer hora. Um brinde pelos sorrisos e pelos abraços em tempo de crise.
  • O amor - a dedicação e o esforço por um bem maior. Obrigada.
  • A minha mãe - nem há palavras para a descrição de tanto amor, dedicação e apoio.
  • Todos aqueles que me ajudam a levar a minha vontade avante e apoiam as minhas ideias para o futuro.
O pior ano da minha existência acabou por me revelar a força dos valores das pessoas que escolhi para me rodearem.

domingo, 11 de novembro de 2012

Os meus 23 anos dos teus 24.

Era uma vez duas meninas, mais diferentes não podiam ser, mas foi nessa diferença que cresceram e juntas enfrentaram todas as tempestades que apareceram no seu caminho. De pequeninas aprenderam a partilhar, a tolerar os diferentes feitios e a amar perdidamente uma amizade que está "condenada" a ser para o resto da vida simplesmente porque nas suas veias correm sangues feitos da mesma essência.
E a minha melhor amiga de todo o sempre faz anos.
Dos 23 anos passados a teu lado há-de haver sempre uma história que recorde mais que outra, um momento mais bonito e engraçado que outro, um mais triste ou um mais tocante. Há-de haver sempre fotografias ridículas, com fatos igualmente ridículos (mania estúpida de nos vestirem com roupas iguais...), comparações estúpidas entre os nossos feitios tão pouco semelhantes, e toda uma série de pormenores que nem sequer sabemos bem porque é que alguém se haveria de lembrar de pegar neles! Quero com isto tudo dizer que me és tão importante... A nossa amizade/amor/sangue vai sempre prevalecer sobre todas as coisas más, é em ti que o apoio é puro, em que nunca há qualquer tipo de "frete". O telemóvel vai ser sempre atendido, as mensagens respondidas, assim como os chamamentos e as partilhas. Obrigada por seres desde sempre quem recebe a primeira fatia do meu bolo de anos, e por nunca teres deixado que isso deixasse de ser assim :) Os meus 23 anos dos teus 24 têm sido os melhores que podia ter pedido!

Parabéns <3 p="">

Tânia.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Maravilhas

Quando nos dão maravilhas para as mãos ficamos maravilhados, sabias? Foi o que me aconteceu naquela noite quando me sentei naquela cadeira desajeitada e incómoda, lá naquela sala escura e velha e cheia de pó que me fez comichão no nariz... Assim que te vi sorri e logo depois ri-me porque foi estranho ver-te em palco. Foi o pensamento típico  "Oh Marta, sai daí!", e de repente, deixei de te ver. Vi uma menina pequena, com uns olhos grandes cheios de coisa para contar, e vi medo, e vi sofrimento, e vi rasgos de alegria e timidez, vi confusão e curiosidade. Vi-te a ti, e não eras tu e fiquei maravilhada. Sem te dares conta deste-me uma maravilha para as mãos, e eu vou guardar a maravilha bem no fundo do meu coração e vou-lhe meter uma etiqueta a dizer "Admiração". Foi uma maravilha! Venham mais, por favor, sempre com esses olhos cheios de coisas boas, cheios de esperança e amor, aquele que eu vejo sempre no fundo dos teus olhos. E com essas maravilhas que venham abracinhos, beijinhos e conversas de copo na mão. Gosto delas, tenho saudades delas.

De uma pessoa para outra Pessoa, uma chamada Marta.
Com muita admiração,uma valente salva de palmas,
Tânia.

sábado, 20 de outubro de 2012

Fall

Chegou o Outono. Não sei se sabiam mas é a época das quedas. Caiem as folhas, cai o pó, caiem as pessoas porque escorregam nas poças de água... Caí eu, pelo caminho. Caí de cansaço. Todo um problema para me levantar, enfim....

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Minha Querida Lisboa

Minha querida Lisboa,

Nem sabes como estou feliz que sejas eterna! Vejo-te cair de um lado e levantar do outro. Vejo-te sempre, sei que estarás sempre no mesmo sítio, mesmo que eu não esteja, tu estás, estarás sempre. Ao contrário dela Lisboa... Ninguém em disse que ia custar tanto, ninguém me disse que ia doer assim, ninguém me disse que teria medo e que seria irracional, mesmo que por breves momentos. Já viste morrer tanta gente. Gentes que nasceram e mais tarde morreram em ti, gentes que chegaram e dedicaram as suas vidas a ti, não nasceram. mas morreram nas tuas ruas. Como é que lidas com a morte? Já é normal, não é? Acabas por te habituar, não é? Eu ainda não consegui, Lisboa, habituar-me. Primeiro arrancaram-me uma partezinha, como se me tivesse caído um raminho, mas foi só uma parte pequenina, agora não. Agora arrancaram-me uma pernada inteira, quase que foi o braço atrás. Ninguém me disse que ia ser assim Lisboa, já tinha imaginado, mas nunca pensei que fosse assim. Dói um bocado!


Avó T.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

23

Quando te dás conta, cresceste...

"Estás a ficar velha, estás bonita."

... Atiraste-te ao rio da vida de cabeça, agarraste em todas as oportunidades que te apareceram à frente e tentas ter valor e fazer com que todas elas dêem fruto. Não tiveste medo de arriscar e foste em busca daquilo que querias. Como nunca foste muito boa a saltar por cima das coisas, deste-lhes a volta, fazendo o teu caminho por onde quiseste ir. Contra tudo, todos e até ti própria! Foste tu!
Obrigada mãe! Obrigada Lisboa! Obrigada teimosia! Obrigada persistência 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Dá-me música

A efemeridade não desapareceu, mas a recordação ficou para sempre. A memória do sentimento sentido no peito quando fugimos em direcção ao que mais nos enche a alma quando existimos os dois, juntos, lado a lado, respirando o mesmo ar, ouvindo a mesma música que teima em gritar-nos, mesmo quando chega o silêncio. Memórias captadas pelos nossos olhos, quais fotografias guardadas num album! Às vezes chego até a pensar que enlouqueci e ando por estas ruas a sonhar acordada. Os dias têm sido de tal forma preenchidos com amor e cumplicidade que chego a pensar que vou explodir de paixão. É nesses momentos que dou por mima  pensar senão ando a imaginar coisa. Pois bem, se andar, espero continuar a imaginar-te de mãos dadas comigo durante muito tempo. Estou até tentada a pedir para sempre...  Mas falemos da música! Sim, a música que voltámos a ouvir até no silêncio. Aquela que nos deu o empurrãozinho que nos faltava. Falemos da forma como a música nos entra pelos poros da pele e nos preenche cada centímetro de pele e cada pedacinho da alma. A música, sempre acompanhada de uma brisa suave e de um cigarro, à janela de preferência, ou sentados no chão de um recinto, ou talvez na entrada da tenda que nos alberga, que nos vem relembrar que o amor existe, que nos vem ligar ainda mais um ao outro, servindo de banda sonora ao filme da nossa vida. Seremos eternos nas nossas recordações, eu sei que seremos. O filme que passa naquela tela branca dos salões do meu mundo também já passa na tua tela branca, eu sei que sim, consigo vê-lo pelos teus olhos castanhos, lindos. As janelas da entrada da tua alma. Consigo ver tão bem através deles. E enquanto me perco nas imagenes que vejo, deixo que a música, a tua, acho que um pouco nossa, me envolva e me faça voar. Não pares, por favor. Não deixes que ela se cale. Não permitas que o silêncio caia no vazio e que, com ele, nós nos calemos também. Por favor, não pares de me dar música.

P.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

- Where are you Alice?

terça-feira, 19 de junho de 2012

Efemeridades

“Às vezes dá vontade de ser fumante. Acender um cigarro para ter nas mãos o objeto palpável do meu pensamento. Numa tragada preencher o corpo leve com a fumaça e invadir os pulmões com a miséria do mundo. Na outra esvaziar o peito de todas as dores e aproveitar o prazer de um breve momento”

Há tempos li isto. Não sei quem escreveu, nem com que intenção, mas explica com todas as palavras a razão do meu amor por um cigarro. Um. Só um. Nunca um a seguir ao outro. Um num jardim. Um à beira do meu rio Tejo. Um no meio do verde daquele sítio mágico onde me enchem de música. A efemeridade daquele cigarro que nos faz parar e pensar a cada trago, como se o fumo que sai em seguida na nossa expiração fossem a produção de uma qualquer conclusão a que chegámos. Quando retemos a nossa respiração e deixamos o fumo entrar por nós a dentro é como se não sentissemos mais as dores intelectuais que povoam o nosso pensamento e as emocionais que povoam o coração e nos permitissemos a nós mesmos deleitar-nos o que somos. É quase mágico, acorda-nos o pensamento, láva-nos as dores da alma. É breve e fugaz, como o primeiro beijo, mas poderoso e sentido como o último, aquele da despedida.

sábado, 26 de maio de 2012

Minha Querida Lisboa

Minha querida Lisboa,

Sempre ouvi dizer que o amor vira tudo do avesso: transforma os ignorantes em inteligentes e estupidifica os que de tudo sabiam. Tenho vindo a confirmar isso mesmo. Actualmente sou uma ignorante, sem liberdade de expressão, sem independência.Tudo porque o amor não me deixa exprimir, quer tudo para ele, quer os meus olhos,as minhas mãos, a minha boca e o meu pensamento. Quer o meu sorriso e o meu abraço, a minha paciência e sapiência. Quer as minhas entranhas e a minha derme, levando agarrada a epiderme. Quer uma compreensão acima da média. Quer-me inteira, e eu sou só pedaços, pequenos pedaços de vidro partido.

domingo, 6 de maio de 2012

Mãe

A ti, que vais ser sempre a minha heroína, a minha rainha, a minha fada ou a minha mais-que tudo. Um amo-te e um abraço chegam bem. Ou então uma festinha tua na minha mão.

"MÃE, CADA PALAVRA QUE ME ENSINASTE REPETE O TEU NOME MIL VEZES"

(in A Casa, A Escuridão.)


sexta-feira, 4 de maio de 2012

P.

Podiamos ser só eu e tu e os nossos cafés e os cigarros. Podiamos ser só eu e tu e a música e o barulho dos aviões a passar por cima do teu telhado. Podiamos ser só eu e tu e as ruas da minha Lisboa e os trilhos do teu sítio. Podiamos ser só eu e tu, nós, e o resto do mundo deserto, que viveria feliz para sempre <3

P.